SINTONIA PERDIDA

Poesia de Arthur Amaral
Tu que nunca me olhaste, hoje me flerta. Por quê?
o que mudou? Continuo igual, o mesmo menino, o
mesmo sorriso, o mesmo homem; Constante,
inconstante, errado, perdido, fingindo não sentir
o que sempre senti.
Como nuvem sempre passaste por mim, nunca
ficaste. Agora por que choves e cria tempestades
em meu espírito. Por tempos, longos períodos, perdi-me
em vosso abismo, em meio a campos longínquos
tempos de outrora que sempre me fizeram te esperar…
Te encontrar hoje, desse jeito olhando meus olhos,
face a face aos meus, tudo se renova,  e o passado
adormecido ressurge como brasa, fogo ardente pronto
para queimar por dentro. Aí fico perdido, fingindo
novamente não ver os olhos teus.
Dentro de mim há verdade, dentro de ti há mistérios e desejos
o que queres com isso? Transcendo novamente em suas
fantasias me embriagando na lucidez de sua loucura no
desejo do teu doce beijo que continuo a guardar, a
espera por aquilo que nunca foi nem será meu.